Ângela Liporoni Funes Flávio
Meu
depoimento sobre a escrita.
Minha primeira experiência com a escrita aconteceu anteriormente à da leitura,
com uma produção de textos na segunda série do primário, numa época em que se
escrevia à vista de uma gravura ( estímulo visual), porém sem nenhuma leitura
ou trabalho anterior sobre o tema (WARM-UP, oralidade e
levantamento de conhecimentos prévios ). Apesar disto, fui iluminada pela
criatividade nas produções textuais: em uma delas havia escolhido ser
um banco de praça, para que aquelas pessoas que viessem até
mim pudessem descansar à sombra de uma grande árvore; depois, em um novo texto,
queria libertar os pássaros para que fossem livres e felizes.
Meu pai foi o meu grande incentivador, aquele que comemorava e valorizava cada
uma das atividades escolares, talvez pelo sonho que tinha em estudar e não
pôde: apenas concluiu a quarta série do primário. Sempre valorizou muito os
estudos dos quatro filhos e se sentia orgulhoso com o nosso avanço na
escola. Além disso, gostava de contribuir com seus conhecimentos quando
pedíamos ajuda. Nunca economizou com materiais escolares, numa época em que
apenas a merenda era oferecida na escola estadual e todo o material, até os
livros de literatura, tinham que ser adquiridos nas livrarias e tudo era muito
caro e difícil. Porém, meu pai acreditava que o maior bem era o conhecimento, e
assim, tudo o que fosse para ser usado na escola, ela comprava, e não se importava
com o preço.
Certo dia cheguei em casa com uma proposta de produção de textos, e meu pai
disse-me que para enriquecê-lo, eu poderia iniciá-lo assim: " Numa bela
manhã de domingo em que o sol brilhava intensamente, os rouxinóis em coro
entoavam suave melodia..." E assim, dei a continuidade ao meu texto do
pássaro livre.
A professora leu o texto todo e, de repente, disse para eu fosse até a
diretoria e mostrasse meu caderno para a diretora. Atônita, peguei o caderno e
fui até a diretoria. A diretora, Dona Conchieta, leu meu texto e me parabenizou
pelo texto maravilhoso que havia escrito.
A partir de então, passei a escrever com maior entusiasmo e segurança.
Na escola onde trabalho, sempre sou convidada a escrever e opinar sobre textos
escritos por alunos, professores e documentos oficiais, além de processos e
projetos. Costumo fazer revisões quando necessário e também contribuo na
produção dos documentos.
Na sala de aula tenho estimulado os alunos a produzirem crônicas narrativas
para compormos um diário de adolescentes coletivo. Peço ao aluno para que se
posicionem enquanto personagem do texto, tornando-se protagonista como no
caso da música Marvin, que transformamos em prosa. O aluno pode optar por ser
Marvin ou a mãe dele no texto que irá produzir.
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