Analfabetismo e letramento
Sou filha única de mãe solteira, mãe esta que estudou até a quarta série primaria (nos anos 60) e que é considerada nos dias atuais alfabética funcional, pois ela sabe escrever e ler, contudo não consegue compreender um texto maior que três linhas. Após meu nascimento ela somente trabalhou para me criar, neste tempo livro era um objeto de desejo que eu não podia nem sonhar em ter ou ler.
Aos 6 anos uma das filhas do casal para quem minha mãe trabalhava como cozinheira conseguiu me matricular na escola dos sonhos" Fundação Educandário Pestalozzi unidade I" e lá sim tive oportunidade de sonhar em ler e ter livros. Até os quinze anos estudei nesta escola e é de lá com as mestres mais amorosas e dedicadas (tia Maria José e Tia Marleninha, Tia Auriluce entre outras) que aprendi a ler, escrever, valorizar e divulgar a importância da leitura e da escrita.
Confesso não ter sido a aluna nota 10, mas sempre me esforcei para ser melhor no que era solicitado. Após concluir o ensino fundamental nesta maravilhosa escola, fui estudar na escola estadual e conclui o colegial (ensino médio) e onze anos depois resolvi voltar a estudar e fui cursar letras na UNIFRAN (matutino), pois eu trabalhava tarde e noite, quase tive um colapso mental, eu era a mais velha da sala e estava com muita dificuldade de acompanhar e turma, então perdi o trabalho e remanejei para o noturno e assim consegui concluir o curso e nestes três anos o prazer pelos estudos e por escrever foram fomentados noite e noite na universidade e fora dela.
Com o advento do computador, hoje prefiro "escregitar (meu neologismo)" ou seja escrever digitando, pois venho perdendo a prática de escrever em folha, caderno, relatório etc a aproximadamente quatro anos e este fato esta me preocupando, porém não tenho feito muito para modificar esta postura.